sustentabilidade

 

O Biosciences Research Building (BRB) é um caso sucesso na arquitetura sustentável e economia da Irlanda. Construído para integrar o campus da Universidade Nacional da Irlanda, em Galway, este projeto foi verdadeiro desafio, levado a cabo no início da recessão irlandesa.

Este importante Centro de Investigação em Biociências trabalha com alta tecnologia dedicada ao estudo do cancro, medicina regenerativa e biologia química. O seu edifício tornou-se num centro de investigação pioneiro na questão da eficiência energética e arquitetura sustentável.

O grande desafio era conseguir erguer um projeto de excelência energética com um orçamento limitado. E o objetivo foi concretizado com sucesso: o valor por metro quadrado no final da obra ficou significativamente abaixo do valor standard para instalações similares e com um retorno energético significativo. Um exemplo de resiliência numa das épocas mais conturbadas da economia irlandesa.

São vários os fatores que destacam o BRB no panorama mundial da arquitetura sustentável. Esta abordagem simples, mas radical e rara assenta em princípios relacionados com a eficiência e rentabilidade dos recursos.

Ventilação natural

Este edifício foi projetado de maneira aproveitar a ventilação e o aquecimento natural a maior parte do ano. Só há recurso a aquecimento radiante durante um mês no ano inteiro. Mais de 45% dos espaços não chegam a necessitar de ventilação mecânica. A abertura das janelas é controlada de forma automatizada, de forma a manter as temperaturas amenas e a ventilação constante. Por outro lado, nos gabinetes individuais, as janelas são controladas pelos próprios ocupantes, de maneira a se ajustarem às necessidades de cada um. Do lado oeste, as janelas automáticas formam uma espécie de corredor térmico, que permite a rentabilização da luz e da corrente de ar, ao mesmo tempo que dão dinamismo à fachada do edifício.

Luz natural

A rentabilização da luz natural foi outra das preocupações presentes na estrutura do edifício. Todos os compartimentos têm acesso a luz natural, com excepção das salas de apoio aos laboratórios, sensíveis à luz. 52% da área do edifício utiliza apenas iluminação natural, durante os meses de verão.

Aproveitamento de águas

Anualmente, em Galway chove cerca do dobro do que chove na capital do país, Dublin. Este facto poder ser uma grande mais valia quando se trata em práticas de sustentabilidade. Para aproveitar essas grandes quantidades de água, a equipa que projetou a Centro de Investigação Biociências contemplou um sistema de gestão de águas pluviais, com diversas opções de tratamento. Pavimentos exteriores porosos e sistemas de filtros no telhado são alguns dos instrumentos que permitem que este edifício necessite apenas 25% da quantidade que seria normal no que toca ao consumo de água canalizada de abastecimento público.

Pormenores que se revelam cruciais

Desde a escolha dos materiais aos acabamentos. Nada foi deixado ao acaso e todos os detalhes respeitaram o princípio maior da sustentabilidade. A superestrutura pré-fabricada foi desenvolvida fora do terreno onde se localiza o edifício, para reduzir a pegada ambiental e minimizar o desperdício de produção. Deu-se também preferência a produtos de origem irlandesa, para favorecer a economia nacional.
Cerca de 70% dos funcionários e frequentadores do BRB chegam ao edifício por transportes públicos, bicicleta ou a pé. O que reflete a sensibilização para práticas sustentáveis que inspirou o projeto desde a primeira instância.

Por tudo isto, o Biosciences Research Building ficou entre os 10 projetos de arquitetura sustentável e design ecológico destacados pelo Instituto Americano de Arquitetos (AIA) e seu Comité de Meio Ambiente (COTE) em 2016.

Conheça as práticas de sustentabilidade concretizadas pela ARCH Valadares.